A possibilidade de uma nova greve dos caminhoneiros voltou a ganhar força em Santa Catarina. A mobilização começou a se intensificar no Litoral Norte do estado, especialmente em Itajaí, e também envolve cidades como Navegantes, Itapoá e Imbituba.
Segundo informações divulgadas nos últimos dias, a paralisação em Santa Catarina está prevista para começar oficialmente nesta quinta-feira, 19 de março. O movimento faz parte de uma articulação nacional e tem como principal motivação o aumento do preço do diesel sem reajuste proporcional no valor do frete.
A principal reclamação da categoria é que os custos do transporte dispararam, enquanto o valor pago pelas viagens continua defasado. Caminhoneiros afirmam que, na prática, muitos profissionais estão trabalhando com margem cada vez menor e, em alguns casos, “pagando para trabalhar”.
Em Santa Catarina, a mobilização ganhou força principalmente nas regiões portuárias, onde a circulação de cargas é intensa e o impacto do diesel no custo operacional é ainda mais sentido. Em Itajaí, por exemplo, motoristas se concentraram no posto Dalçoquio, no bairro Salseiros, como parte dos preparativos para a paralisação.
De acordo com representantes da categoria, o movimento foi organizado em conjunto com outros polos portuários do país. A expectativa é de adesão em cidades estratégicas para a logística catarinense, o que pode gerar reflexos importantes no transporte de mercadorias, na atividade portuária e em setores que dependem diretamente do fluxo rodoviário.
O foco central da reivindicação é a aplicação efetiva do chamado “gatilho do frete”, mecanismo criado após a greve de 2018 e que prevê reajuste automático na tabela do transporte sempre que houver aumento significativo no preço do combustível.
Apesar disso, há divergência entre o que dizem os caminhoneiros e a posição oficial dos órgãos federais. A Agência Nacional de Transportes Terrestres informou recentemente que realizou atualização dos pisos mínimos do frete após a alta do diesel. Mesmo assim, lideranças da categoria afirmam que o reajuste não tem sido suficiente ou não está sendo sentido de forma real na ponta, especialmente entre os autônomos.
Outro ponto que aumentou a tensão foi o recente reajuste no diesel, que agravou ainda mais os custos do setor. Entidades ligadas ao transporte avaliam que a falta de diálogo com a categoria foi determinante para a organização do movimento paredista.
A paralisação, ao menos neste primeiro momento, não teria como estratégia principal o bloqueio total de rodovias, como ocorreu em 2018. A orientação inicial seria manter caminhoneiros parados em pontos de apoio, postos de combustíveis ou em casa, evitando interdições imediatas e ampliando a mobilização gradualmente.
Mesmo assim, a situação já acende alerta para possíveis impactos logísticos. Santa Catarina é um estado fortemente dependente do transporte rodoviário e da atividade portuária, o que significa que qualquer paralisação mais ampla pode afetar abastecimento, entrega de mercadorias, cadeias produtivas e a rotina de diversos setores econômicos.
Além da pressão por reajuste no frete, o cenário também se agrava por causa da insatisfação generalizada com o custo dos combustíveis. O governo federal anunciou medidas para tentar reduzir esse impacto, incluindo mudanças tributárias e ações de fiscalização no mercado. Ainda assim, a categoria segue cobrando respostas mais concretas e imediatas.
Neste momento, o quadro é de mobilização crescente, articulação entre lideranças regionais e expectativa de adesão em pontos estratégicos do estado. O desfecho vai depender das negociações e da capacidade de resposta do governo e dos órgãos responsáveis pela política de transportes.
Se o movimento ganhar força nos principais polos logísticos de Santa Catarina, os efeitos podem ser sentidos rapidamente em diferentes áreas da economia.
Fontes
ND+
Reuters
ANTT
Governo Federal
Ministério da Justiça
DIARINHO