Quando a cidade vira “depósito”: o descarte irregular de entulho em Brusque.

fev
17
2026
Geral

por: bqmilgrau

Tem ponto em Brusque que já virou cenário repetido: sofá velho, colchão, resto de obra, sacos de lixo doméstico, podas jogadas no canto da rua, em terrenos e margens de vias. E, em alguns desses lugares, ainda aparece o pior: abandono de animais junto do lixo.

Esse tipo de descarte não é só questão estética. Ele se transforma em problema de saúde pública, segurança, risco de enchentes quando entope valetas e drenagens, além de causar poluição ambiental e visual. E no fim, custa caro para o município e para quem faz o descarte corretamente.

Desrespeito ou desinformação?

Existe desinformação, mas muitos casos demonstram conduta intencional. Há registros de veículos e caminhões, inclusive de outras cidades, utilizando pontos já conhecidos para descarte clandestino. Quando o lixo é jogado de madrugada ou em áreas afastadas, dificilmente é apenas falta de orientação.

Mutirões de limpeza já retiraram dezenas de cargas de entulho em diferentes bairros da cidade, somando toneladas de resíduos descartados de forma irregular. Isso mostra que o problema não é isolado, mas recorrente e espalhado.

Multa existe e pode ser alta

O Código de Posturas e as legislações municipais preveem multa para quem descarta resíduos em vias públicas, terrenos baldios, áreas verdes ou cursos d’água.

Entre as infrações previstas estão:

  • Depositar lixo ou materiais velhos em áreas públicas ou privadas sem autorização.

  • Obstruir valetas, bocas de lobo e cursos d’água com resíduos.

  • Utilizar espaços públicos como ponto de despejo de entulho.

Os valores podem ultrapassar alguns milhares de reais, dependendo da gravidade, volume descartado e reincidência. Além da multa, o responsável pode ser obrigado a arcar com os custos da limpeza e remoção.

O problema é que a multa só funciona quando há identificação do autor. E nem sempre isso acontece.

Disk Entulho público: promessa e expectativa

Após ações de limpeza realizadas em abril, foi anunciado que o município estudava a organização de um serviço público de recolhimento, o chamado “Disk Entulho”, possivelmente sob responsabilidade do Samae.

A proposta seria oferecer uma alternativa oficial para que moradores pudessem solicitar recolhimento de entulho e volumosos, mediante taxa. No entanto, até o momento, ainda não houve detalhamento definitivo sobre funcionamento, valores ou início efetivo do serviço.

Sem uma alternativa pública estruturada, a orientação atual segue sendo a contratação de empresas privadas ou caçambas licenciadas. Mas é justamente nesse ponto que surge a dificuldade: muitas vezes quem descarta de forma irregular não quer ou não pode pagar por esse serviço.

Onde descartar corretamente em Brusque

Apesar dos problemas, existem opções legais de descarte na cidade:

Resíduos eletrônicos, pilhas, baterias e pneus podem ser entregues em campanhas específicas e pontos autorizados que realizam a destinação correta.

Materiais recicláveis devem seguir o calendário de coleta seletiva.

Entulho de obra e móveis volumosos devem ser destinados por meio de empresas licenciadas ou serviços autorizados, evitando o despejo em terrenos e áreas públicas.

A falta de informação clara sobre onde levar cada tipo de resíduo ainda é um dos fatores que contribuem para o problema.

Câmeras resolvem?

A instalação de câmeras em pontos críticos pode ajudar na identificação de infratores, especialmente quando há registro de placas de veículos. Porém, existe o risco de o descarte apenas migrar para outro local menos monitorado.

Fiscalização mais rígida é necessária, mas sozinha não resolve. O caminho mais eficiente parece envolver três pilares: oferecer alternativa acessível, fiscalizar com firmeza e aplicar punição real quando houver identificação.

Impactos além da sujeira

O descarte irregular provoca:

  • Entupimento de drenagens e aumento do risco de alagamentos.

  • Proliferação de insetos e roedores.

  • Risco físico com materiais cortantes e ferragens expostas.

  • Desvalorização de bairros.

  • Uso desses locais para abandono de animais.

  • Sensação de abandono e descuido urbano.

Existe também o chamado “efeito cascata”: quando um ponto começa a acumular lixo, outros passam a descartar ali, normalizando a situação.

Qual seria a solução?

Criar um ecoponto municipal estruturado.
Implantar oficialmente o Disk Entulho com regras claras e taxa acessível.
Reforçar fiscalização com identificação e multa efetiva.
Investir em campanhas objetivas mostrando onde e como descartar.
Criar canais simples e rápidos para denúncia.

O que não dá é tratar como algo comum.

Enquanto o problema vai se estendendo, cenas assim vão se normalizando.

E quando a cidade vira depósito, todos pagam a conta.

Galeria


Compartilhe:


Deixe seu comentário


Obrigatório