Supersalários em Brusque: entenda a polêmica, os valores envolvidos e por que a Câmara decidiu revogar a lei

fev
10
2026
Notícias

por: bqmilgrau

A aprovação e posterior revogação de uma mudança na legislação interna da Câmara de Brusque gerou forte repercussão nas redes sociais e abriu um debate público sobre transparência, prioridades da administração e regras de progressão salarial no serviço público.

O episódio começou no fim de 2025 e ganhou novo capítulo em fevereiro de 2026, quando o Legislativo decidiu voltar atrás após a divulgação dos possíveis impactos financeiros da nova tabela.

Como tudo começou

Em 11 de dezembro de 2025, os vereadores aprovaram uma alteração na lei que regula a carreira dos servidores efetivos da Câmara. A proposta foi sancionada pelo prefeito em 16 de dezembro de 2025, tornando-se válida naquele momento.

A nova regra mexia em três pontos centrais:

  • ampliação do número de níveis na carreira;

  • aumento do percentual de reajuste entre classes;

  • redução do tempo necessário para progredir de faixa.

Somadas, essas mudanças permitiam que, ao longo dos anos, alguns cargos alcançassem salários significativamente mais altos no topo da estrutura.

Por que o termo “supersalários” surgiu?

Após a divulgação das simulações das novas tabelas, surgiram projeções indicando que determinadas funções poderiam chegar a valores próximos de R$ 40 mil por mês em seus níveis máximos.

Entre os exemplos citados estavam cargos jurídicos e administrativos, que, segundo as estimativas, poderiam ultrapassar os R$ 30 mil mensais ao final da carreira — chegando a cerca de R$ 41 mil em alguns cenários.

Esses números chamaram atenção da população e levaram o projeto a ser apelidado popularmente de “lei dos supersalários”, expressão que rapidamente se espalhou nas redes sociais e virou alvo de críticas e memes.

 E o teto salarial?

Um dos pontos levantados durante a discussão foi o chamado teto constitucional do funcionalismo público municipal, normalmente vinculado ao salário do prefeito.

Mesmo com a possibilidade de aplicação do chamado “abate-teto” — mecanismo que corta valores que ultrapassem esse limite — a simples existência de uma tabela com salários acima desse patamar foi considerada politicamente sensível e ajudou a alimentar a controvérsia.

Repercussão e críticas

Depois que o assunto ganhou destaque na imprensa local e nas redes sociais, moradores passaram a questionar:

  • por que a mudança foi aprovada no fim do ano;

  • como os impactos financeiros não teriam sido amplamente discutidos antes;

  • e se a nova regra era compatível com a realidade econômica do município.

A rapidez com que o projeto foi aprovado e, semanas depois, revogado, também virou motivo de ironias e comentários na internet.

Câmara decide voltar atrás

Diante da repercussão negativa, os vereadores voltaram a analisar o caso em nova sessão realizada em 9 de fevereiro de 2026. Na ocasião, a Câmara decidiu revogar integralmente a lei, fazendo com que voltassem a valer as regras anteriores de progressão na carreira dos servidores.

Em manifestação pública, o Legislativo afirmou que a revogação ocorreu após a identificação de equívocos de interpretação sobre a tabela salarial e que a medida buscava evitar insegurança jurídica. A Casa também declarou que futuras alterações deverão passar por novas discussões.

O que muda com a revogação

Com a decisão:

  • a lei aprovada em dezembro deixa de valer;

  • a estrutura anterior de progressão salarial volta a ser aplicada;

  • eventuais mudanças futuras precisarão ser reapresentadas e debatidas novamente.

Linha do tempo do caso

  • 11/12/2025 — projeto é aprovado pelos vereadores.

  • 16/12/2025 — prefeito sanciona a lei.

  • Fevereiro/2026 — divulgação dos valores gera polêmica.

  • 09/02/2026 — Câmara revoga a norma.

 Debate continua

Mesmo com a revogação, o episódio segue sendo discutido em Brusque. Para parte da população, o caso expôs falhas na comunicação com a sociedade. Para outros, a decisão de recuar demonstrou sensibilidade diante da reação pública.

O tema reacendeu discussões sobre controle de gastos, transparência nas decisões legislativas e a forma como projetos internos são apresentados à comunidade.


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